Uma corrida, quatro bandeiras

Sexta-Feira, 27/08/2010 por Alexander Grünwald | categoria Fórmula 1, Olho na Pista (F-1)

Os anos passam, mas uma coisa não muda em Spa-Francorchamps. Desde 1988, as estatísticas do GP da Bélgica tem sido escritas por pilotos de apenas quatro pontos do planeta. A lista dos vencedores de uma das corridas mais esperadas do calendário mostra que Brasil, Alemanha, Finlândia e Grã-Bretanha dominaram todas as provas dos últimos 22 anos.

A sequência destas quatro tradicionais bandeiras do automobilismo mundial no topo dos pódios belgas começou com uma série de quatro vitórias de Ayrton Senna. O brasileiro, que já havia conquistado a prova em 1985, venceu ininterruptamente de 1988 a 1991. A partir daí, foi a vez de Michael Schumacher colocar seu nome entre os principais vencedores desta pista. Em 1992, ao conquistar sua primeira vitória na Fórmula 1, o alemão iniciou também um período no qual faturou seis vezes esta corrida, que foi até 2002.

Só que, em plena era Schumacher, os britânicos colocaram as asinhas de fora e também subiram ao topo do pódio em Spa. Foram quatro vezes na década de noventa: Damon Hill em 1993, 1994 e 1998, e David Coulthard em 1999. Sendo que a vitória de Hill em 1994 foi daqueles que caem no colo: o inglês não liderou uma volta sequer e chegou em segundo, mas uma irregularidade no assoalho do carro acabou desclassificando o vencedor. Mesmo se isso não acontecesse, o domínio destas quatro bandeiras prevaleceria, já que o eliminado em questão era ninguém menos que Michael Schumacher.

Foi apenas na década seguinte que os finlandeses começaram a dar as cartas na Bélgica. Antes das últimas vitórias alemãs, o triunfo de Mika Hakkinen em 2000 abriu a porteira. A prova não foi disputada em 2003 e 2006, mas o vencedor de quatro das cinco provas que aconteceram entre 2004 e 2009 foi o mesmo finlandês: Kimi Raikkonen. A série só foi interrompida em 2008, numa prova que Kimi liderou desde as primeiras voltas. Mas o finlandês com mais vitórias em Spa foi ultrapassado de forma irregular no final por Lewis Hamilton e, nervoso, acabou batendo no muro. O britânico, que acabou campeão daquele ano, poderia ter ampliado o número de vitórias dos conterrâneos, mas foi punido e deixou o troféu para o brasileiro Felipe Massa. Ou seja, nada que alterasse a série iniciada em 1988.

Em 2010, Sebastian Vettel, Lewis Hamilton, Jenson Button e Felipe Massa são os mais cotados para manter a hegemonia, uma vez que o único finlandês do grid, Heikki Kovalainen, está na estreante Lotus. Será que o espanhol Fernando Alonso e o australiano Mark Webber, vencedores das duas últimas provas deste Mundial, conseguirão quebrar esta série?

Andando em círculos, mas de olho na taça

Quinta-Feira, 26/08/2010 por Alexander Grünwald | categoria Made in USA (Indy)

De agora em diante, para que os pilotos mantenham seus carros no traçado correto, bastará que eles virem o volante para a esquerda. Afinal, a segunda fase dos circuitos mistos na temporada 2010 da Fórmula Indy chegou ao fim, selando a disputa direta entre Will Power, líder do campeonato, e Dario Franchitti pelo título deste ano. Que terá como palco nesta reta final quatro pistas ovais de diferentes características: Chicago, Kentucky, Motegi e Miami.

Apesar da grande vantagem obtida pelo australiano na tabela (59 pontos, mais que a pontuação de uma vitória), ainda é cedo para o Team Penske comemorar. Simplesmente porque o concorrente da Ganassi anda muito bem em pistas ovais e tem tudo para diminuir a diferença.

Neste domingo acontecerá o primeiro round desta batalha, no Chicagoland Speedway, e é bom ficar de olho nos companheiros de equipe dos concorrentes ao título. Scott Dixon, da Ganassi, e a dupla Ryan Briscoe e Helio Castroneves, da Penske, são nomes que podem surpreender. Nesta altura, a intenção dos times é colocar seus carros na frente para tentar, com uma dobradinha, tirar pontos preciosos dos adversários. Se vão conseguir, já é outra história.

Centenário veloz

Segunda-Feira, 23/08/2010 por Alexander Grünwald | Foto: Orlei Silva | categoria Na Boleia (F-Truck)



Roberval Andrade não é atacante, não tem intimidade com a bola, mas, no ano do centenário corinthiano, é ele um dos principais responsáveis pelas alegrias dos torcedores do Timão. Em seis etapas disputadas pela Fórmula Truck neste ano, o piloto do caminhão número 100 já venceu três vezes e está perto de faturar o título da temporada. Neste domingo, em Londrina, ele cruzou a linha de chegada em primeiro lugar, depois de um final de prova emocionante.

O piloto da Scania chegou à liderança na segunda metade da corrida, ao ultrapassar Leandro Totti, que logo depois teve problemas e abandonou. Nas últimas voltas, no entanto, seu caminhão começou a soltar fumaça do motor e Danilo Dirani, que havia largado na pole position, passou a diminuir a diferença perigosamente. Foram momentos de tensão nos boxes das duas equipes, mas Roberval conseguiu se sustentar na pista e garantiu a vitória.

Apesar de ter vencido metade das provas disputadas nesta temporada, o piloto do Corinthians é apenas o terceiro no campeonato, com 101 pontos. Felipe Giaffone, da Volkswagen, lidera com 116, graças à constância e também às grandes recuperações, como a que fez em Londrina, quando largou em 21º lugar e conseguiu fazer diversas ultrapassagens na estreita pista paranaense para chegar em terceiro. Walmir Benavides, também da Volkswagen, terminou em quarto lugar e é o vice-líder da temporada 2010, com 113 pontos.

A próxima etapa do campeonato brasileiro e sul-americano de Fórmula Truck acontece em Buenos Aires, na Argentina, no dia 19 de setembro – mês de aniversário do Sport Club Corinthians. Será que vem aí mais uma vitória dos clube paulista nas pistas?

Para voltar a vencer

Sexta-Feira, 20/08/2010 por Alexander Grünwald | categoria Made in USA (Indy)

Numa temporada em que apenas dois pilotos venceram mais de uma vez, os brasileiros que correm em times de ponta da Indy terão, neste fim de semana, mais uma chance de entrar neste seleto clube. Que, até o momento, só é composto por Dario Franchitti, que faturou a etapa anterior, e por Will Power, que lidera o campeonato.

A 13ª corrida desta temporada acontece na pequena Sonoma, nos Estados Unidos, e marca o fim da fase de circuitos mistos, na qual o australiano deu as cartas neste ano. A intenção do piloto da Penske é clara: garantir a maior pontuação possível para ampliar sua vantagem na tabela. Isso porque, nos ovais, o currículo mais vitorioso na história recente da categoria pertence à equipe Ganassi e ao escocês Franchitti, principais concorrentes na briga pelo título.

Mas os brasileiros, que já venceram duas vezes nesta pista, podem entrar como elementos surpresa nesta disputa. Tony Kanaan faturou a prova de Sonoma em 2005, e Helio Castroneves, em 2008. Caso um deles repita o resultado, o campeonato pode ganhar novos rumos, já que após esta corrida ainda restarão quatro provas em ovais. E, até lá, tudo pode acontecer.

O 13º elemento

Quinta-Feira, 19/08/2010 por Alexander Grünwald | categoria Fórmula 1

A seleção de um novo time para integrar o grid a partir de 2011 está numa fase crucial. Embora o processo seja mantido pela Federação Internacional de Automobilismo com relativo distanciamento da mídia, algumas informações já vazaram, e dão conta de que duas equipes pintam como candidatas mais fortes nesta fase.

O primeiro time com boas chances de ser o 13º elemento no Mundial de Fórmula 1 tem um nome estranho e um punhado de boas intenções. A Epsilon Euskadi, de origem espanhola, já tem inclusive um modelo em projeto, que começou a ser testado no túnel de vento. Pende a seu favor o fato de já ter se candidatado no ano anterior, quando o antigo presidente da FIA escolheu os novos times através de critérios duvidosos.

Já a segunda postulante mais forte é a italiana Durango, que confia numa associação com o campeão de 1997, Jacques Villeneuve. O canadense, que está fora da Fórmula 1 desde meados de 2006, declarou que pretende voltar não apenas como chefe de equipe, mas também como piloto. Seu nome e sua presença poderiam ser bons chamarizes para patrocinadores, embora não seja fácil levantar grandes montantes num esquema independente. Mas a participação de um milionário libanês, como financiador da empreitada, estaria praticamente acertada.

Correndo por fora, vem a Stefan GP, que apareceu entre as temporadas de 2009 e 2010 fazendo muito barulho. Apesar de demonstrar grande interesse em fazer parte da categoria, seu dono e mentor, o sérvio Zoran Stefanovic, já bateu boca com os dirigentes da FIA pela imprensa e isso pode prejudicar o futuro do time. Outro aspecto que deixa os sérvios em desvantagem é o passado dos outros concorrentes, com muitos anos de atuação nas categorias de base, enquanto a missão de partir do zero soa bem mais complicada.

A briga está aberta. E mesmo vencendo o processo seletivo, o novo time terá que enfrentar a resistência de alguns chefes de equipe estabelecidos há muito tempo na categoria. Caso de Ross Brawn, campeão de 2009 com equipe própria e que atualmente dirige a Mercedes. O inglês, que declarou que a F-1 não precisa de um 13º time, parece ter se esquecido de seu passado como integrante de equipes nanicas, de baixíssimo orçamento e com estrutura precária e desorganizada. Muitas vezes é assim, discretamente, que nasce um futuro campeão.

O novo amor de Valentino Rossi na MotoGP

Terça-Feira, 17/08/2010 por Alexander Grünwald | categoria Duas Rodas (Moto GP)

Neste domingo, na República Tcheca, o espanhol Jorge Lorenzo venceu mais uma vez na MotoGP. Em dez corridas, foi a sétima vez no ano que o piloto da Yamaha subiu ao topo do pódio, alcançando 235 pontos em 250 possíveis. Mas nem por isso o líder do Mundial foi o assunto do fim de semana. Simplesmente porque seu companheiro, Valentino Rossi, anunciou oficialmente que deixará a equipe, para integrar o time da Ducati em 2011 e 2012.

A propósito, não foi um anúncio qualquer. Em vez de uma entrevista coletiva ou de um comunicado em papel timbrado, o multicampeão das duas rodas divulgou uma carta escrita do próprio punho, com algumas rasuras e um conteúdo francamente emotivo. Uma verdadeira carta de amor, na qual Rossi demonstra todo o carinho pela equipe japonesa e a felicidade em fazer da M1 uma moto vencedora, com a qual conquistou quatro títulos. No manuscrito, o italiano também deixa claro que a opção de mudar de casa foi movida por um novo desafio, num cenário semelhante ao de sete anos atrás, quando ele deixou uma confortável situação na Honda.

Com a ida de Rossi para a Ducati, o mercado da MotoGP se agita. O campeão de 2007, Casey Stoner, deve trocar o time italiano pela Honda, provavelmente ao lado do espanhol Dani Pedrosa. Já para o lugar de Valentino, especula-se que o escolhido será o norte-americano Bem Spies, que faz sua primeira temporada completa na principal categoria do motociclismo mundial, depois de vencer o Mundial de SuperBikes. Que, pelo andar dos acontecimentos, deve encontrar Lorenzo defendendo sua primeira taça de campeão do mundo. Combinações que certamente farão a alegria dos fãs da velocidade em duas rodas.

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