“Esse ano promete”. Essa é a frase mais ouvida atualmente quando o assunto é F-1. Até aí nenhuma novidade, afinal todo ano promete muita coisa, mas no fim das contas não cumpre nem a metade. Só que dessa vez as alterações provocaram uma revolução nos carros.
A temporada passada foi uma das mais emocionantes de todos os tempos, com o título sendo decidido literalmente na última curva. Acho que nem se eu viver mais 100 anos vejo isso de novo na Fórmula 1. Foram vários pontos altos, tais como a largada sensacional de Massa na Hungria, as vitórias dos talentosos Kubica no Canadá e Vettel na Itália, a renascença de Fernando Alonso, o pega de Hamilton e Raikkonen na Bélgica, e tantos outros. Claro que também houve derrapadas feias, com destaque total para as mancadas da Ferrari e o apagão de Kimi, mas que se levarmos para o lado positivo contribuíram para o equilíbrio na disputa entre os pilotos. Apesar de tudo, nem todos ficaram satisfeitos com 2008 e, aproveitando o gancho da crise econômica para mais uma tentativa de corte de custos, o regulamento mudou pela milionésima vez.

À primeira vista, os carros são esquisitos (dizer que são feios é relativo porque há gosto para tudo nesse mundo). Motores agora têm que durar três corridas. O aerofólio traseiro encolheu, o dianteiro esticou. Os demais penduricalhos aerodinâmicos sumiram. A energia desperdiçada nas freadas agora pode ser reaproveitada por meio de um trambolho que obriga os pilotos a serem mais “esbeltos”. De todas essas mudanças creio que só a volta dos slicks fez os fãs pularem. As outras criam um monte de interrogações na cabeça dos apaixonados pelo esporte.
A pré-temporada foi um rascunho do que pode ser visto domingo, em Melbourne. A Ferrari não deve ter muita dificuldade para se manter na ponta. Já a rival McLaren tomou tempo nos testes até das equipes intermediárias, o que é um mau sinal. Alonso vai incomodar com a Renault. Red Bull, Toro Rosso e seus “Tiões” ao que tudo indica estão no mesmo nível. A Toyota pela primeira vez parece ter acertado a mão no carro. BMW deve repetir o bom desempenho de 2008. As coisas na Williams devem melhorar em relação à última temporada. A Force India provavelmente continuará com seus carros nas últimas filas do grid. E a performance da recém-nascida Brawn é um assombro para o circo.
Mas tudo pode acontecer no dia 29, inclusive uma vitória da Brawn (pelo menos é isso que as casas de apostas australianas imaginam). As mudanças acontecem justamente para tornar imprevisível o resultado de qualquer corrida. Vale lembrar, claro, que as conclusões mesmo só vão surgir a partir da Malásia.
É, promete. Tomara que cumpra.

























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