Uma década atrás, no dia 30 de abril de 2000, os pilotos da principal categoria do automobilismo norte-americano aceleraram pela quinta vez em solo brasileiro. O que pouca gente imaginava é que aquela turma – já contando, na ocasião, com feras como Tony Kanaan, Helio Castroneves, Dario Franchitti e Alex Tagliani – fazia naquela prova sua despedida da pista de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

Meses depois da realização da corrida, uma mudança no governo local (atuante na promoção da corrida) interrompeu a sequência que já durava cinco anos. A saga, que começou em 1996 com uma vitória histórica de André Ribeiro, rendeu uma série de boas corridas no Autódromo Nelson Piquet. Mais precisamente no circuito oval batizado com o nome de Emerson Fittipaldi, o pioneiro do país neste tipo de pista.

Inicialmente, a prova brasileira fora denominada ‘Rio 400’, em função da quilometragem percorrida. A partir de 1999, no entanto, o percurso foi diminuído para 200 milhas (321,8 km), rebatizando o evento para ‘Rio 200’. O resultado prático se traduziu em disputas na pista, já que o novo formato trouxe mais dinamismo e possibilitou a criação de novas estratégias por parte das equipes. Em 2000, não foi diferente. Apesar da implantação de uma nova asa traseira nos carros, que gerou muita turbulência na pista carioca, alguns pilotos conseguiram grandes recuperações.

Caso do vencedor, Adrian Fernández, que havia largado em 16º e venceu graças à ousadia de não trocar pneus na última parada. Claro que a rodada do líder Alex Tagliani a poucas voltas do fim da prova também ajudou o mexicano. O então desconhecido canadense disputava uma de suas primeiras corridas na categoria, e assombrou a todos ao dominar os treinos e marcar a pole position. Liderou praticamente toda a prova, mas o erro (assumido pelo piloto) acabou com o sonho da primeira vitória e ainda despertou algumas vaias nas arquibancadas.

A festa dos torcedores, que coloriram o autódromo de Jacarepaguá, só não foi maior porque nenhum dos nove pilotos da casa conseguiu ir ao pódio. Cristiano da Matta, quarto colocado, foi o que chegou mais perto. Depois disso, a estrela do mineiro brilhou a tal ponto que ele chegou até a Fórmula 1 – categoria por onde já haviam passado Christian Fittipaldi e Roberto Moreno, que terminaram respectivamente em quinto e sexto lugares naquela corrida.

Dez anos depois, a Indy está de volta ao Brasil, desta vez nas ruas de São Paulo. Novamente com um grande esquadrão verde e amarelo, que certamente fará de tudo para compensar a corrida de 2000. O público está preparando a festa. Com a certeza de que tem muitas chances de ver seu entusiasmo correspondido.