O GP da Hungria teve um certo ar de nostalgia recente. Não parecia fazer parte da temporada das surpresas, da Brawn e da Red Bull, dos vexames de Ferrari e McLaren. A décima etapa do Mundial de F-1 teve, finalmente, uma equipe dita “grande” no alto do pódio. E outra em segundo lugar. McLaren e Ferrari, como no ano passado, e no retrasado. Com uma “intrusa” em terceiro, a Red Bull.

Lewis Hamilton, campeão do mundo, apenas nove pontos no campeonato nas primeiras nove corridas, venceu a prova de Hungaroring com facilidade, com Kimi Raikkonen, campeão de 2007, na segunda colocação. A prova teve um ar de “normalidade”. Na pole, outro figurão, Fernando Alonso, bicampeão em 2005 e 2006. Que largou bem e dominou a primeira parte da corrida, até fazer sua primeira parada, a Renault não prender direito seu pneu e a roda sair voando no meio da pista — o time foi suspenso por um GP por conta da imprudência.

A Brawn, como a Honda do ano passado, andava atrás. A Red Bull, como fazia de vez em quando, dava lá suas estocadas com Mark Webber. Mas um pequeno atraso no seu primeiro pit stop fez com que perdesse a posição para Kimi. Sebastian Vettel foi vítima do finlandês do mesmo jeito, só que na largada: um toque, suspensão danificada, abandono.

O KERS ajudou Raikkonen e Hamilton nos primeiros metros da corrida. Ambos largaram muito bem e o dispositivo que acumula energia e despeja potência foi fundamental para que saltassem à frente de seus adversários. Mais para trás, no pelotão intermediário, Jenson Button, líder do Mundial, se arrastava numa inglória luta por migalhas de pontos. Terminou em sétimo.

Seu companheiro Rubens Barrichello, nitidamente abalado pelo acidente do amigo Felipe Massa, largou mal e, numa pista sem pontos de ultrapassagem, não teve chances de se recuperar. Acabou em décimo. Outro que andou mal foi Nelsinho Piquet, 12º. Ele pode ter feito sua última corrida pela Renault, embora, nas entrevistas pós-corrida, mantivesse o ar de “não-tô-nem-aí”.

A F-1 agora faz uma pausa de quase um mês e só volta em Valência, no dia 23 de agosto. Até lá, a Brawn terá de trabalhar na fábrica para melhorar seu carro, que nas últimas três provas perdeu muita performance. A única boa notícia para o time “marca-texto” em Hungaroring foi o repentino renascimento de McLaren e Ferrari. Ambas tendem a roubar pontos da Red Bull, a partir de agora. No fim das contas, as grandes, que tanto combateram a Brawn e seu difusor duplo no começo do ano, é que podem ajudar a estreante que, em Budapeste, correu como pequena.